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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ano do Brasil em Portugal


"Provocar, encantar e ampliar o olhar lusitano sobre a nossa música e sobre o brasileiro."

A propostado Ano do Brasil em Portugal é mais do que clara: durante 10 meses, de setembro de 2012 a junho de 2013, a "terrinha" vai se pintar de verde e amarelo para divulgar a cultura brasileira. 
A programação do evento é ampla: shows, exposições de arte, apresentações... O Espaço Brasil mostrará semanalmente alguns dos muitos estilos musicais do país, começando com homenagens a artistas falecidos e passando pelos estilos que representam o panorama atual, como samba, choro, maracatu, reggae, música instrumental e até hip hop.
Além disso, também serão homenageadas as festas populares mais emblemáticas do país: Carnaval, Festa Junina, Bois de Parintins etc.

Consulte a programação completa e participe!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Menu de 2 euros? Só em Portugal, ora pois!



Época de crise é difícil, todo mundo sabe: cresce o desemprego, sobem os preços e todo mundo começa a fazer mais contas antes de desembolsar verba, principalmente se for pra gastar em supérfluos.
Mas, para o bom comerciante, crise também pode ser sinônimo de bons negócios. Um exemplo é o restaurante Komes?, em Chaves, norte de Portugal.
Além da cidade, na fronteira com a Espanha, ser fofíssima, o passeio ofereceu uma coisa que eu nunca tinha visto: um menu de 2 euros!
Sim, você leu certo: DOIS EUROS - o que em muitas cidades européias é o preço de um café com leite aí era suficientes pra uma refeição.
Os planos iniciais não eram de almoçar por lá, mas depois de ver o cartaz da oferta eu me senti obrigada a testar o restaurante... E não é que a comida era ótima?




Assumo que a princípio minha frescurite me vez olhar duas vezes antes de entrar, mas passando a porta e vendo aquele ambiente moderninho de paredes coloridas e cheio de gente jovem, era impossível não querer estar ali!
Em primeiro lugar, eu adoro menus: é ótimo ter comida + bebida + sobremesa por um preço único, e acho uma pena que o Brasil não entre nessa onda. Normalmente os restaurantes oferecem várias opções e diversas faixas de preço, e você escolhe a que mais te interessa. Sem dúvidas, sem surpresas na conta, é melhor pedida, não dá problemas nem quando você não conhece bem o idioma. São opções comuns nos restaurantes da Espanha, França e Portugal, principalmente.
Nesse caso, o menu era composto por prato + bebida + sobremesa.
Testamos as duas opções de prato: lombo assado com batatas e espaguetti à bolonhesa. 



A proporção era pra faminto nenhum botar defeito.


Para beber, a escolha era entre vinho, suco, refrigerante ou água.
Depois desse pratão, pensei que a sobremesa seria um iogurtinho de supermercado. Que nada! Entre as muitas opções (sete, se não me engano), todas caseiras, os escolhidos foram mousse de chocolate e de manga. 
De-li-ci-o-sas!


Resultado da experiência: satisfação por uma moedinha!
Esse milagre da economia tem um detalhe: a oferta do "menu estudante" só é válida às segundas-feiras; nos demais dias da semana, sobe para a fortuna de TRÊS EUROS.
Cá entre nós: nada como uma boa crise, não? ;)




E, quando a experiência é boa, a propaganda é grátis:
Komes? O K? O k tu kiseres
R. Direita, 199, Chaves - Portugal

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2009: ano de viagens IV: Portugal

Aveiro

Bragança

Miranda d'Ouro

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Portugal 4: O Porto

Adoro todas as cidades portuguesas que conheci, mas confesso: tenho uma quedinha especial pelo Porto. O começo dessa paixonite foi turbulento: depois da noite mal dormida no trem e da passagem relâmpago por Fátima e Coimbra, chegamos à noite no Porto. Como eu tinha checado, chegamos numa estação de ônibus próxima à nossa hostal, que até foi fácil de encontrar. Problema um: apesar da indicação de que aceitaria, a hostal não aceitava cartão de crédito e já não tínhamos o valor para pagar por toda a estadia em cash. Por isso, tivemos que sair em busca de um caixa eletrônico indicado pela recepcionista, próximo do qual havia – em uma definição politicamente correta – algumas profissionais do sexo e alguns rapazes comercializando substâncias ilegais. Numa operação estilo McGyver, com uma vigiando enquanto a outra operava a máquina bancária, conseguimos sacar o dinheiro e financiar nossa hospedagem sem problemas, mas não tivemos muita vontade de sair nesta noite.
No dia seguinte, fizemos um passeio meio instantâneo pela cidade, porque incluía conhecer tudo que encontrássemos pelo caminho e comprar nossas passagens (a minha para a Espanha e da minha amiga para Lisboa). Ela comprou a dela de trem para a manhã seguinte, e eu não encontrei passagem para Salamanca nesse transporte então, como a estação de ônibus internacional era bem distante, fiquei de checar na manhã seguinte (como se eles fossem obrigados a ter sempre viagens internacionais disponíveis...). Obviamente, não encontrei passagem, o que ocasionou uma nova ida à estação de trem e uma resignada volta à mesma estação de ônibus, na qual somente havia passagens para o outro dia – compensando o susto por custar a metade do valor da passagem ferroviária. Depois do susto inicial, a peregrinação entre as estações e a reserva de uma nova noite de estadia na hostal, resolvi aproveitar o tempo que tinha e efetivamente conhecer o Porto. E quer saber? Vista com calma, a cidade me pareceu linda, fácil de locomover e cheia de simpatia lusitana. Além do tradicional vinho que leva o nome da cidade (que além do vasilhame tradicional, pode ser encontrado em mini-garrafinhas, um souvenir perfeito para presentear família e amigos – especialmente o vinho verde, meu preferido), que ganha até um Museu na cidade, há inúmeros outros locais de para se visitar. Também preciso comentar (para justificar a fama dos portugueses em terras tupiniquins) que tem padarias por toda parte! Um sonho para os fãs dos incríveis doces lusitanos.
Alguns lugares que valem a visita:
- Estação São Bento: se você chegar de trem na cidade, será por lá. É linda, toda azulejada.
- Av. dos Aliados/Praça da Liberdade/Prefeitura: ampla, com construções imponentes. Tem o McDonald’s com a aparência mais diferente que já vi, com uma imensa águia na fachada.
- Mercado do Bolhão: como todo bom mercado, um ótimo lugar para acompanhar o dia-a-dia da população e encontrar pechinchas: pãezinhos, flores, panos de prato...
- Cadeia da Relação (Centro Português de Fotografia): minha melhor surpresa na cidade. Acabei indo parar lá sem querer, e descobri uma antiga cadeia transformada em centro de exposições, conservando todas as celas e grades (incluindo uma onde ficou preso o escritor Camilo Castelo Branco, autor de Amor de Perdição – o crime: adultério). O Centro tem um charme sem igual. Ainda dei a sorte de ver uma exposição linda de Georges Dussaud, “Crônicas Portuguesas”.
- Catedral da Sé: construída no séculos XII-XIII. As igrejas da cidade abusam dos azulejos, de um jeito só delas.... aliás, a lateral externa da Igreja de S. Ildefonso é uma coisa incrível, assim como a fachada da Capela das Almas.
- Igreja e Torre dos Clérigos: construção barroca e rococó com torre de 75,60m. Além da ótima visita, foi no entorno dela que encontrei os melhores locais para comprar Vinho do Porto e onde comi minha inesquecível “francesinha” (sanduíche que tem de tudo um pouco, já comentado neste post), no “Forno dos Clérigos”, onde também provei bolinho de bacalhau de doces portugueses. - Café Majestic: lindo e tradicionalíssimo. Em funcionamento desde 1921, fica na Rua Santa Catarina, bem no centro. Além de uma fachada que se destaca de tudo o que você vai encontrar naquela área, tem até sala de exposições e jardim de inverno.
- Praça da Ribeira/Cais da Ribeira: depois de subir e descer muita ladeira (nada muito inclinado, não precisa de preparo físico nenhum), chegamos às margens do Douro, repleta de pessoas, lojinhas e restaurantes. Talvez seja turístico demais, mas a vista é linda. Vale pegar o funicular ou atravessar a Ponto D. Luís e ir para o outro lado do rio, experimentando a vista daquele lado.
- Jardins do Palácio de Cristal: outra vista fantástica. Aliás, vistas, no plural, porque cada lado que olhe, você vê algo diferente. E topei até com pavão por lá, literalmente. - Casa da Música: já um pouco longe do centro, é um espaço de eventos com uma programação muito intensa e diversificada.
Além destes, apenas entre os monumentos principais da cidade há 15 igrejas, 30 museus, casas-museu e centros de exposição, 25 adegas para visitação – isso sem falar naqueles lugares que a gente vai descobrindo, sem querer, passeando despretensiosamente pela cidade. Como não se apaixonar por essa cidade?

domingo, 7 de setembro de 2008

Galo de Barcelos

No clima português das postagens, uma lenda que adoro - e que justifica o mais popular dos souvenires de quem visita terras lusas.

A lenda do Galo de Barcelos

Os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera.
Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém acreditou. Ninguém julgava crível que o galego estivesse a caminho de Santiago de Compostela em cumprimento de uma promessa; que fosse fervoroso devoto do santo que em Compostela se venerava, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca.

Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:
- É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Risos e comentários não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo.
O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade!
Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz correu à forca e, com espanto, viu o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. Imediatamente solto, foi mandado em paz. Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor à Virgem e a São Tiago.

sábado, 6 de setembro de 2008

Portugal 3: Fátima e Coimbra

Num dos meus últimos meses morando na Espanha, eu e uma amiga brasileira resolvemos passar um fim de semana em Portugal. Eu já conhecia Lisboa, então quis aproveitar para conhecer outras cidades, o que resultou num roteiro um tanto quanto kamikase: sairíamos na sexta de madrugada de Salamanca, chegaríamos de manhã em Fátima, onde visitaríamos a famosa basílica; de lá, iríamos para Coimbra, onde passaríamos a tarde, e no início da noite rumaríamos pra Porto, onde dormiríamos e passaríamos o sábado; no domingo, minha amiga iria para Lisboa e eu iria ficar até a tarde, quando voltaria para a Espanha.
Mas, como viajante que é viajante tem que ter suas aventuras, essa foi uma daquelas viagens em que quase tudo deu errado. Primeiro erro: ir de trem ao invés de ir de ônibus, igualmente pouco confortável, mas mais barato. Segundo erro: apesar de termos pedido ao funcionário, ele não nos avisou qual era a parada de Fátima (que tampouco foi anunciada pelo condutor) – resultado: tivemos que descer na parada seguinte e esperar mais de meia hora pelo próximo trem no sentido contrário. Chegando à estação (agora correta), descobrimos que o primeiro erro havia sido pior do que pensávamos: a estação de trem ficava numa área afastadíssima da cidade (ao contrário da estação de ônibus, que ficava a 5 minutos a pé da basílica). Um taxista nos abordou e disse que estávamos há 40 minutos do centro e que todos os táxis faziam o percurso a um preço fixo, mas não nos deixamos intimidar e fomos a um abandonado ponto de ônibus, onde não havia ninguém senão um alemão que não falava nadica de nada de outra língua que não fosse a dele. Através de mímica, descobrimos que ele estava ali há meia hora e, como não havia qualquer indicação da freqüência de ônibus (nem de que, sinceramente, algum dia passaria algo parecido com um ônibus por ali), esperar não nos pareceu uma idéia interessante. Então, munidas de papel e caneta, o convencemos a rachar um táxi conosco até a basílica, no qual ele entrou mudo e saiu calado, enquanto nós conversávamos com o providencialmente simpático taxista.
Concentramos nossa visita basicamente à área central, o que é uma pena, pois adoro ver a vida “real” das cidades, fugindo dos roteiros excessivamente turísticos e repletos de lojinhas de souvenirs. Depois da visita à basílica, com direito a escrever um pedido de oração e acender uma vela pelas intenções que quisemos – emocionante, ainda que houvesse visitantes que mais pareciam estar fazendo piquenique do que visitando um templo religioso –, saímos chispadas rumo à estação de ônibus, onde pegamos nosso transporte até Coimbra (ainda que não tenhamos conseguido comprar passagens de estudantes, disponíveis em quase todas as companhias, menos na que fazia aquele trecho).
Admito que me arrependi de já ter reservado o hotel para a cidade seguinte, pois Coimbra é uma cidade fofíssima! Logo que chegamos, nossa cara-de-pau tupiniquim nos fez entrar em um hotel para pedir um mapa, já que não havia nenhum disponível na rodoviária – e o atendente, super educado e paciente, não só nos deu um mapa ótimo como sinalizou todos os locais que achava mais interessante que visitássemos. Adorável.
Percorrendo a cidades, confirmamos que, na “Cidade dos Estudantes”, a Universidade de Coimbra é uma parada imperdível, com destaque para a linda Biblioteca Joanina e o interessante Cárcere Acadêmico. Como Salamanca, lá também há duas catedrais, a Sé Velha e a Sé Nova; a primeira data do século XII e segue a linha românica, enquanto a segunda foi fundada no final do século XVI numa mescla de influência clássica com barroca. Como adoradora de áreas populares e encantada por ladeiras e caminhos tortuosos, fiquei zanzando pela área da Praça do Comércio e todas as suas muitas lojinhas, onde “precisei” comprar uma bandeirinha da minha segunda pátria. Fomos à Torre da Almedina, onde fica o Museu da Cidade, no qual há maquetes, vídeos e animações que nos mostram como funcionava o sistema de defesa da Coimbra da era medieval, e também possui uma vista muito bacana do entorno do museu e suas ruelas.
Depois do almoço, cruzamos o Rio Mondego por sobre a Ponte de Santa Clara e fomos até a Quinta das Lágrimas, palácio do século XIX que foi cenário do romance de Pedro e Inês, Romeu e Julieta portugueses. O local agora é um hotel, mas pudemos visitá-lo e ir até a Fonte dos Amores, encontrando plaquinhas e sinalizações da história pelo caminho. Andamos, andamos, andamos e, na hora de ir embora, cadê o portão de saída? Trancado!
Novamente a cara-de-pau tupiniquim nos fez pular um murinho, olhando atentamente para os lados, com medo de estarmos fazendo algo errado. Cruzamos novamente o Mondego, agora pela Ponte Pedro e Inês, exclusiva de pedestres, e contornamos o Jardim Botânico, infelizmente fechado, até o interessante Aqueduto de S. Sebastião.
De lá, nos restava tempo apenas para um gole d’água e seguir pelo entorno do Jardim até a moderna Avenida Fernão Magalhães, percorrendo nelas as quadras que nos separavam da estação de ônibus e, conseqüentemente, do nosso próximo destino: o Porto.

PS.: Retribuindo a gentileza: o recepcionista simpático trabalhava no
Almedina Coimbra Hotel (Av. Fernão de Magalhães, 199).

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Portugal 2: Deambulando por Lisboa

Aproveitei o post anterior para dar um pouco de destaque ao meu bairro preferido, Belém, mas não posso deixar de fazer um apanhado geral da capital lusa.

A primeira vez que fui pra Portugal foi num fim-de-semana. Saí de Salamanca, onde eu morava na Espanha e peguei um trem até Lisboa. Não aconselho o meio de transporte: o trem saía de madrugada, no melhor estilo trem fantasma: cabine escura, cheia, fez que eu atravessasse a viagem toda, de sete horas, abraçando minha mochila. Depois descobri que de ônibus era mais barato e mais rápido (sem falar que na Europa as companhias low fare lhe permitem fazer uma viagem até mais barata do que com os meios terrestres).

Cheguei em Lisboa ainda no sábado de manhã e fui direto para minha hostalzinha, simplona e bem barata, perto da Praça do Comércio. Larguei as malas e comecei o city tour!

Comecei pela Praça do Comércio, onde o bom viajante encontra postos de informação turística onde podemos encontrar um útil mapa da cidade. Vale a pena olhar ao redor, de um lado o rio Tejo, e dos outros três lados os edifícios da praça.

Segui ao longo do cais, e em breve encontrei a Casa dos Bicos, que chama a atenção pela fachada cheia de, hum, bicos. De lá, segui para a Catedral da Sé, que atrai logo de cara pela arquitetura românica, com uma simplicidade externa que quase chega a ser excessiva, totalmente diferente das igrejas que estamos acostumados a ver. No interior, o pé direito bem alto e a sala do tesouro impressionam.

Daí em diante, me perdi (propositada e despropositadamente) pela ruas da Alfama, o bairro do fado, a música típica da terrinha. Vale uma alongadinha antes, porque serão muitas subidas e descidas, em ruelas estreitas e incrivelmente inclinadas. Tenho uma amiga que achou perigoso, por ter ido num domingo e estar deserto, mas eu particularmente achei uma delícia passear pelas casas deste bairro tradicionalíssimo, vendo as casas simples com roupas estendidas no varal e parando para olhar os barzinhos simples e as chiquérrimas casas de fado – aliás, se quiser visitar uma, programe-se com antecedência: muitas somente atendem com reserva. Andei mais um pouco a esmo e resolvi ir perguntando onde era o Largo das Portas do Sol, de onde se tem uma vista incrível de toda esta área da cidade, podendo-se ter uma perspectiva aérea das especificidades de cada bairro.

Seguindo inúmeras placas indicativas, de lá foi bastante fácil chegar até o Castelo de São Jorge, atração que ninguém deve dispensar na cidade. Além de ter uma vista absolutamente fantástica – além se estar localizado na colina mais alta de Lisboa, sua Torre de Ulisses possui um periscópio que permite ao visitante observar a cidade em 360º a tempo real. Quem tiver tempo pode ficar horas zanzando pelo castelo propriamente dito, subindo e descendo muralhas, entrando e saindo das guaritas nas guaritas (ainda que não tenha tido tanto tempo, eu fiz isso e achei uma delícia!). Além dos muitos mirantes, surpreendentemente se encontra até exposição multimídia e cafeteria ali dentro – além de um casal de pavões com os quais eu cruzei pelo caminho. O Castelo fica aberto à visitação das 9 às 21h; estudantes têm desconto, como sempre (paguei 2,50 euros – grupos têm desconto maior).

De lá, passei por umas lojinhas e me esquivei de uma produção cinematográfica que tava acontecendo por ali e fui caminhando até chegar na praça do Rossio e admirar o lindo Teatro de D. Maria II. Atravessei a praça da Figueira e cheguei até um atrativo bastante interessante da cidade: o elevador de Santa Justa.

A estrutura metálica e estreita quase escondida entre os edifícios destoa da arquitetura do bairro, mas não deixa de atrair os olhares de quem passa. Peguei uma travessa da rua de Santa Justa e fui parar na rua Garret, 120, no Chiado, onde turista que é turista vai tirar uma foto com o Fernando Pessoa de mentirinha instalado na frente do café “A Brasileira”. Dê uma entradinha no estabelecimento e confira como ele é disputadíssimo – acotovele-se com os demais clientes no balcão e tome um cafezinho com um delicioso doce português – dependendo do horário, esperar por uma mesa pode demorar bastante.

Voltei pela Rua Augusta, que tem uma vizinhança adorável, cheia de restaurantes e cafés – ambiente turístico, sim, mas foi naquela área que comi o melhor bacalhau da minha vida. Além disso, se puder, visite a rua Augusta durante o dia e perceba o contraste da grande concentração de lojas de grife com os ambulantes e pedintes do seu entorno.

Dessa vez, fui num barzinho na Avenida 24 de Julho e voltei cedo pra casa. Mas quando voltei a Lisboa, conferi que a pedida da noite é ir às docas!! Saindo da praça do Comércio e seguindo pelo cais no sentido da ponte 25 de abril, pode-se ver um grande número de restaurantes, bares e boates. Achei até caipirinha no cardápio (ainda que eu já tenha tomado melhores, vale pela constatação da globalização, hehe).

No dia seguinte, fiz a visita a Belém mencionada no post anterior, para visitar os lindos Mosteiro dos Jerônimos e Torre de Belém, declarados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Para quem tiver mais tempo (porque Lisboa merece mais tempo ou então uma segunda visita), pode visitar algumas atrações mais afastadas: o Parque das Nações, o Oceanário, a ponte Vasco da Gama (quarta maior ponte de mundo em comprimento) e a torre homônima.

Mas, além disso, ainda existe muito mais nessa cidade, outras ruas, avenidas, praças, museus, igrejas... Visite e faça o roteiro da sua Lisboa!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Portugal 1: Nem só de pastéis vive Belém

Lisboa é uma cidade difícil de definir. De alguma forma, consegue ser uma mescla perfeita de Europa com Brasil: ainda que o idioma não seja exatamente igual ao nosso, é perfeitamente possível compreender e ser compreendido nas ruas. Ela é composta por bairros diferentes e complementares, sendo os mais famosos a Alta, a Baixa, a Alfama, o Chiado e o charmoso Belém, o meu preferido! Neste bairro, você encontra tudo que um viajante procura: edifícios históricos, gente simpática, gastronomia típica e paisagens de tirar o fôlego.
O melhor jeito de chegar a Belém é de bonde. Da Praça do Comércio, basta pegar um dos vários “elétricos” para se sentir voltando no tempo – pode-se ir de ônibus também mas, convenhamos, aproveite a oportunidade de andar de bonde! Logo que chegar, olhe ao redor e veja a grande quantidade de verde ao seu redor, em praças muito bem cuidadas; em seguida, seus olhos automaticamente serão direcionados para o maior e mais bonito dos edifícios ao redor, o Mosteiro dos Jerônimos. Ainda que de algumas vezes seja um pouco longa, a fila para entrar é bastante rápida e com certeza vale a pena: o interior do prédio é ainda mais impactante que o exterior, com um claustro amplo e intensamente iluminado. Na igreja, aproveite para visitar os túmulos do escritor Luis Vaz de Camões e do navegante Vasco da Gama, e em seguida caminhe por toda a nave, contemplando seus altares e a impressionante altura de seu teto. Perca-se no mosteiro por algum tempo, conferindo também as exposições do seu interior.
Cruzando a Praça do Império em direção às docas, você já avista mais dois grandes atrativos do bairro: o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. O primeiro é um monumento erguido em comemoração aos 500 anos das explorações marítimas portuguesas, com representações dos navegantes olhando em direção ao mar. O segundo é uma antiga torre de guarda da costa lusitana, que conserva a mesma estrutura da época em que estava ativo, possibilitando uma incrível vista da ponte 25 de Abril. Na saída, aproveite para pechinchar um lenço para sua mãe nas mãos das vendedoras ambulantes.
Também vale a parada no Museu dos Coches, na rua de Belém. Lá ficam expostos carros utilizados pelas classes dominantes em diversas épocas, inclusive monarcas e príncipes, e confira a profusão de detalhes em cada veículo.
Deu fome? Uma boa pedida são os restaurantes um pouco mais adiante na própria rua de Belém, onde há pratos típicos a preços bastante aceitáveis. Mas a dica gastronômica imperdível é a Fábrica dos Pastéis de Belém, razão da nomeação dos lusitaníssimos docinhos de nata. Em atividade desde 1837, oferecem a famosa sobremesa por menos de um euro e permitem aos visitantes que presenciem a produção através de uma parede de vidro. Sempre há fila para compras para viagem, mas a graça está em saborear seus pasteizinhos no interior do estabelecimento, todo azulejado e com decoração tradicional – melhor ainda se eles vierem acompanhados de um bom café.
No fim do dia, sente-se em um banco da praça e aproveite para ver o movimento ao redor. E que tal mais um pastelzinho?